O que vem depois?

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Que o “Fora Temer” está consolidado, não tenho dúvidas.

Que é irreversível, também não.

“Diretas Já” me preocupa.

No momento que a mídia torna público as vaias recebidas, em Brasília e no RJ, no momento que dão destaque, passo a sentir um cheiro de fritura no ar.

Fritura indigesta pela qualidade do óleo.

Nunca acreditei em boas intenções vindas da direita. Principalmente da mídia.

Não acredito agora.

Eleições agora, mesmo que em todos os níveis, tem cheiro de “golpe no golpe”. E o pior, com o aval das urnas.

Aval que o resto do mundo aguarda para dar seu “OK”.

E que não deu à Temer.

Analisar o momento é preciso.

Quem seria o candidato da esquerda? Quem permitiriam que fosse.

Vale lembrar que o Ministro Gilmar Mendes preside o TSE. E, não é nada imparcial, para ser ameno.

Deixariam Lula se candidatar?

Certeza que não.

A massa não está mobilizada, ainda. Mobilizados estão os de sempre e, parte da classe média mais esclarecida, que já percebeu o tamanho do buraco em que se meteu. Nada que garanta uma eleição limpa.

Até que ponto o movimento “Diretas Já” está comprometido com os interesses da direita? Do “golpe no golpe”?

Enquanto permanecer a parcialidade da mídia, nada é.

Pode ser.

Olhar as entrelinhas, aprender com o passado, pensar antes de falar e fazer.

Os tempos não são normais.

Há que se ter cautela.

Da mesma forma que Jânio

No dia 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciava ao seu mandato presidencial. Uma questão, muito falada à época era de que estava querendo deixar o poder para “retornar nos braços do povo”.

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Por que desse assunto?

Primeiro, estamos em agosto.

Segundo, estava eu, cá com meus botões –sempre eles – a confabular e, a comparação com o comportamento da(s) esquerda(s) me pareceu inevitável.

Jânio, em sua “loucura”, achava que ganharia mais poder com seu retorno à presidência, carregado pelo povo. Era um lunático, em todos os sentidos do termo, proibiu o biquíni, a briga de galo, defendia a soberania brasileira no petróleo. Passeava por muitos mundos ao mesmo tempo.

Assim que o golpe iniciou a ser deflagrado, tivemos movimentos e promessas de ações em defesa da democracia e do governo Dilma. Com o passar do tempo essas promessas e atos foram perdendo força, dando a impressão de uma desistência da luta.

Teriam a(s) esquerda(s) as mesmas intenções de Jânio?

Seria o “retorno nos braços do povo” o motivo para o recuo?

Se for essa a intenção, creio que repetirão o “Homem da Vassoura”.

Não que Dilma careça de militância e de gente disposta a levá-la nos braços ao Palácio da Alvorada. Mais pela inaptidão do brasileiro para se movimentar em direção à luta.

Brasileiro que se preze é messiânico. Espera sempre alguém que faça o serviço por ele. Que um anjo dos céus venha em seu socorro e resolva seus problemas.

Hoje, as “forças ocultas”, que derrubaram Jânio, não são mais ocultas. São bastante claras em nomes e intenções.

Mas o povo continua o mesmo!

Epílogo de 64

O caos está estabelecido, gostemos ou não. Esse silêncio fúnebre indica o vazio que o caos construiu. Chegamos ao epílogo de 64. Como vamos escrever nossa nova história, depende de como enfrentarem…

Fonte: Epílogo de 64

Tudo igual, cada vez pior.

Acordo e vou para o computador olhar as notícias, na esperança de que já não estou mais no mundo paralelo que me encontrava ontem.

Doce ilusão!

Tudo igual, cada vez pior.

Fui dormir com o “educador” Frota, dando palpites, ou melhor, entregando projetos para a educação no país.

Acordo com a troca de Embaixadores americanos. Sai uma especialista em desestabilização de governos, entra um especialista em ocupação.

E agora!

Todas as piores teorias da conspiração se materializando.

Quando, poderia eu, no meu pior delírio, imaginar ver, mais uma vez, um golpe.

Um golpe aplicado pela pior safra de políticos e juristas que o mundo conheceu.

Um golpe aplicado no melhor momento desenvolvimentista que tivemos.

Um momento de inclusão.

De construção de uma sociedade mais justa.

Não aprendemos com a nossa própria História.

Estamos manchando, mais uma vez, nosso currículo.

Voltamos a ser o vira-lata, o país das bananas.

Viramos motivo de piadas.

Estamos prestes a ver, novamente, um período de ditadura como já tivemos.

Talvez pior.

Talvez mais longa.

Talvez mais cruel.

Aqueles que querem o poder, estão mais hábeis.

Os que aplicam o golpe estão mais informados.

Aqueles que nos tomaram de assalto, tem mais treinamento.

Enquanto nadávamos de braçadas em um ilusório republicanismo, tramavam o mais baixo dos imperialismos.

Sofreremos grandes revezes. Voltaremos à época do Brasil colônia e suas Capitanias Hereditárias.

Só espero que, não nos tornemos um Afeganistão.

O interventor de lá, chegou!

 

 

 

Ironia

figura por meio da qual se diz o contrário do que se quer dar a entender; uso de palavra ou frase de sentido diverso ou oposto ao que deveria ser empregado, para definir ou denominar algo [A ironia…

Fonte: Ironia