O caos está estabelecido, gostemos ou não.
Esse silêncio fúnebre indica o vazio que o caos construiu.
Chegamos ao epílogo de 64.
Como vamos escrever nossa nova história, depende de como enfrentaremos o golpe.

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Com essas frases terminei meu comentário a um artigo recomendado por um amigo.

Por que epílogo de 64?

A partir da implantação da ditadura militar o desmonte das estruturas sociais – partidos políticos, universidades, UNE, centrais sindicais, etc. – deixamos de formar lideranças políticas, de formar cidadãos políticos e politizados. O medo de se falar do assunto, o medo de “com quem falar” do assunto, a repressão foi tal, que nada de novo foi formado.

O velho chegou até os dias de hoje. Quando não pelos mesmos políticos, pelos seus herdeiros.

As mesmas práticas se repetem desde os tempos das Capitanias.

Temos uma direita raivosa, preconceituosa, exclusivista. Os mesmos pensamentos que nortearam as ações de abril de 64 ainda permanecem no seu discurso.

Os tempos mudaram, o Mundo mudou, mas a nossa direita permanece estática.

Muitas vezes nos deparamos com artigos e frases de políticos e pensadores da década de 60 e, invariavelmente, temos a impressão de que estão falando dos dias atuais.

Continuamos na mesma década.

A esquerda não foge muito deste mesmo mal.

Continua desunida, com o ego maior do que pode carregar. Não aprendeu que desunida não chega à lugar algum. Achou que com a eleição de Lula e Dilma estariam garantindo um novo tempo. Que suas ações inclusivas seria o suficiente para a perpetuação de seus ideais.

Esqueceram de combinar com a direita.

O golpe de hoje tem as mesmas características do anterior. Ódio ao que se desconhece, incapacidade de dividir ganhos, de distribuir renda. Com o campo fértil em uma “nova direita”, nascida de uma população que elevou seu status nesses últimos 12 anos e que pensa ser parte da “elite”, alimentada pela velha prática da mídia, recebeu  força e apoio dessa parcela da população.

Velhas práticas, velhos políticos, novos velhos políticos. Atores formados ou deformados na década de 60 assumem o comando para destruir todos os ganhos dos últimos anos. O projeto é o mesmo, os bastidores também. Entregar, vender todo o patrimônio econômico do Estado, do povo brasileiro ao Capital. Destruir décadas de ganhos estratégicos em benefício próprio e de governos estrangeiros.

Chegamos a um momento crítico de nossa História.

Rompe-se com o passado e continuamos a caminhar para um futuro de protagonismo mundial ou, estaciona-se no passado e entregamos todos o nosso patrimônio.

Estamos no momento de escrever o fim da era 64, formar novas lideranças, romper com o passado para termos um futuro maior e melhor.

Ou, estacionar no passado e reviver toda a angústia de três décadas de ditadura.

Temos a chance de escrever o epílogo ou, mais um capítulo do passado.

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